Brasil: declínio nos padrões civilizatórios

Eiiti Sato*

Definir os indicadores de padrões civilizatórios de um povo é uma tarefa bastante complexa e pode ser objeto de controvérsias intermináveis. Um “clássico” sobre o tema é Norbert Elias (1897-1990) que, em 1939, publicou suas reflexões sobre O Processo Civilizatório (2 volumes).[1] Seja em razão da Segunda Guerra Mundial que se iniciava, seja pelo fato de ter sido publicado em alemão, a obra causou grande repercussão somente após a década de 1960, quando foi traduzido e publicado em inglês. Norbert Elias descreve a trajetória de como os padrões pós-medievais em relação à violência, ao comportamento sexual, às funções fisiológicas do corpo humano, e até ao comportamento à mesa e às formas de expressão verbal, foram gradualmente se transformando na medida em que os sentimentos de vergonha e repugnância foram se formando a partir de um núcleo central que se formou na esteira do que ele chamou de court etiquette. A obra é complexa e, na essência, é possível dizer que, no seu entendimento,os padrões civilizatórios compreendem as formas de como os indivíduos vivem e definem seus padrões de comportamento coletivo como sociedade capaz de viver e de produzir coletivamente, seja na cultura ou nas atividades econômicas.

Norbert Elias (1897-1990)
Sociólogo polonês,educado na Alemanha

 

C. Virgil Gheorghiu (1916-1992)
Escritor romeno, radicado na França

Desses padrões de convivência social indicados por Norbert Elias, nas nações, emergem seus valores, sua cultura e sua capacidade de criar e de realizar obras que tornam um povo capaz de se destacar em relação a outros povos. O escritor Constantin Virgil Gheorghiu (1916-1992) dizia que centenas de anos atrás os habitantes das ilhas no meio do Oceano Pacífico encontraram em suas praias o desafio do mar.[2] Queriam chegar nas terras que, por vezes, até conseguiam enxergar no horizonte, mas tinham diante de si o desafio do mar. Os povos das ilhas do Pacífico construíram a piroga e, assim, venceram o desafio do mar. Os europeus encontraram em suas praias as mesmas ondas do mar, mas sua resposta foi construir o transatlântico. Essa metáfora, embora um tanto simplória, ilustra o que significa fazer avançar os padrões civilizatórios de um povo em relação a outros e, na perspectiva extraída das formulações de Norbert Elias, os dados recentes sobre o Brasil indicam que o país vem descendo visivelmente na escala civilizatória, isto é, na sua capacidade de se comportar coletivamente, inclusive para poder empreender na indústria, nas artes e nas ações coletivas como cultura com identidade própria.

Violência e Padrões Civilizatórios

 O trabalho de Norbert Elias leva a inferir que a violência é um dos piores indicadores de elementos que comprometem qualquer tentativa de fazer avançar os padrões civilizatórios de uma sociedade. Os níveis de violência podem ser elevados, por conflitos com outros povos ou por guerras civis intermináveis. Atualmente, no entanto, a violência nos países reflete principalmente a falta de ordem interna em razão da incapacidade das autoridades, que não conseguem construir uma ordem social, fazendo respeitar e cumprir suas próprias leis. Desde os tempos antigos existe a percepção de que o progresso material e cultural dependem de um ambiente pacífico. Os afrescos pintados por Ambrogio Lorenzetti, em meados do século XIV, no Pallazzo Pubblico di Siena, ilustra essa percepção. Em uma das paredes do grande salão, Lorenzetti pintou a Alegoria do Bom Governo no qual prevalece a justiça, a sabedoria e a ordem, e o resultado é um ambiente de florescimento dos negócios e das artes. Na parede oposta, na Alegoria do Mau Governo, Lorenzetti mostra que o ambiente é lúgubre, marcado pela pobreza, por conflitos, com poucas atividades sociais produtivas, sem justiça e dominado por interesses mesquinhos de seus governantes. O ser humano, acuado pela violência, tende a desenvolver comportamentos opostos ao que Norbert Elias considerava como essenciais no processo civilizatório, isto é, a capacidade de empreender coletivamente, o que demandagentileza e tolerância tanto no comportamento quanto nas formas de expressão.

O estudo de 2024, realizado pelo Escritório das Nações Unidas sobre Drogas e Crimes (UNODC), destaca que na avaliação dos níveis de violência, é importante examinar a taxa de homicídios por habitantes de cada país, já que ela é mais adequada para explicar que não se trata de uma coincidência o fato de que o desenvolvimento econômico e cultural de um país é um fenômeno que ocorre em nações situadas no final da lista e não no início dessa lista de mais de 150 países. O relatório mostra que, em 2021, a taxa média global de homicídios foi de 5,8 a cada 100 mil pessoas e que o Brasil ocupava o 14º lugar situando-se, portanto, entre os piores da lista, com 21,26 homicídios por grupo de 100 mil habitantes.

 Os afrescos de Ambrogio Lorenzetti cobrem as paredes do grande salão do Pallazzo Pubblico di Siena

Um quadro resumo da violência no Brasil

Violência no Brasil

  • Em 2023, o Brasil registrou 46.328 homicídios.
  • Em 2023, houve 458 mil assassinatos registrados em todo o mundo, portanto, nada menos do que10,4% dos assassinatos ocorreram no Brasil.

 

Algumas comparações (dados disponíveis)

EUA:21.594 assassinatos em 2022 (população de 340 milhões)

China: 7.157 assassinatos em 2020 (população de 1,2 bilhão)

Argentina: 1.961 assassinatos em 2022 (população de 47 milhões)

França: 1.010 assassinatos em 2023 (população de 67 milhões)

Alemanha: 686 assassinatos em 2022 (população de 83 milhões)

Reino Unido: 673 assassinatos em 2020 (população de 63 milhões)

Japão: 289 assassinatos em 2022 (população de 124 milhões)

Austrália: 218 assassinatos em 2022 (população de 27 milhões)

 

Roubos e golpes digitais

  • Em 2023 foram roubados 946.080 celulares no Brasil, ou seja 2.592 a cada dia.

Nota: em entrevista recente, o presidente Lula afirmou que é natural que roubem celulares, uma vez que existe muita pobreza no país!!!!!

  • Em 2023 foram roubados 375.025 veículos no Brasil (1.028 a cada dia)
  • Os golpes digitais no Brasil vitimaram 40,8 milhões pessoas, ou seja, 24% dos brasileiros com mais de 16 anos, nos últimos 12 meses foram roubados por meio dealgum crime cibernético (clonagem de cartão, fraude na internet ou invasão de contas bancárias). Os dados são de uma pesquisa divulgada pelo Instituto DataSenado.

 

A esse quadro, devem ser adicionados os crimes de:

– corrupção no serviço público

– roubos de cargas

– roubos de cabos de energia elétrica

– assaltos a bancos

– assaltos e roubos a pessoas em locais públicos

– roubos de residências e de estabelecimentos comerciais

– contrabando e tráfico de entorpecentes, etc.

 

No Brasil de hoje, os homicídios não são cometidos apenas por organizações criminosas, mas comete-se assassinato por ciúmes (feminicídios), para realizar roubos (principalmente de celulares), por “motivos fúteis” (brigas de trânsito, discussão entre vizinhos, bebedeira etc.), e até por simples ignorância.Vale notar a crescente participação de menores de idade e de mulheres nesse turbilhão insano de violência.

Perspectivas para o futuro

Pode-se dizer que a violência é o oposto, ou talvez, o substitutivo para a criatividade para a produção de qualquer tipo de obra civilizatória. Na arquitetura, que é uma faceta bem visível dessas obras, o Brasil de até meio século atrás, fazia parte de qualquer roteiro da arquitetura mundial. Hoje, esse roteiro passa por vários países do Oriente Médio, da Ásia, da América do Norte e até mesmo da velha e conservadora Europa, que tem produzido soluções inovadoras seja em termos urbanísticos ou de construções de grandes obras que facilitam a vida dentro das cidades ou viagens de todos os tipos, ou ainda que fazem o deleite dos sentidos por sua beleza e originalidade. No Brasil, o caso de Brasília é exemplar.Nos últimos 50 anos muito pouco foi feito e nada se produziu de original e notável em termos de arquitetura e de urbanismo. Os poucos esforços despendidos por parte das autoridades têm sido no sentido de, a duras penas, tentar evitar mais deterioração dos poucos locais e construções que têm conseguido resistir ao desgaste pelo tempo e pelo mau uso. Na realidade, a maior parte do esforço das autoridades e dos recursos oficiais, tem sido empregada no sentido de evitar que a iniciativa privada,tanto de pequenos quanto de grandes empreendedores, não destrua o pouco que existe, construindo empreendimentos imobiliários medíocres e ilegais em locais que deveriam simplesmente ser preservados por sua beleza ou por sua função ambiental.

Outro indicador de que a violência é o oposto ou um substitutivo para a criatividade e a construção civilizatória, aparecem nas “redes sociais”. No Brasil, as tais redes sociais são dominadas por “influencers” que pertencem, ou que se associam ao crime organizado, para se utilizarem desses recursos para aplicar golpes criminosos, ou que simplesmente se valem desses meios para adquirir popularidade exibindo comportamentos e bens luxuosos notadamente anti-sociais e de muito mau gosto. O fato é que é difícil pensar que uma nação tenha algum futuro quando é marcada pela violência, e que o trabalhador simples e honesto não tem a seu favor as instituições da Justiça que, ao invés de combater a violência, prefere praticar a tolerância sem limites aos crimes e delitos de todos os tipos,adotando explicações barrocas baseadas em sociologia barata para justificara orientação de não combatera violência sob quaisquer formas ou modalidades. Nas primeiras décadas do pós-guerra, a produção de aço e da indústria petroquímica eram indicadores do nível de progresso e de desenvolvimento dos países. Neste início de um novo século o nível de dinamismo em relação à exploração do espaço sideral é um dos indicadores mais visíveis para se avaliar as perspectivas para o futuro das sociedades no planeta. Com efeito, sob vários ângulos, os padrões tecnológicos de ponta estão, cada vez mais, associados à construção de sistemas dependentes da pesquisa e desenvolvimento envolvendo satélites, novos materiais e sistemas de geração e de uso da energia para a exploração do espaço exterior.

Nesse quadro, o número de satélites em órbita ao redor da Terra é um bom indicador e, nos últimos anos aumentou consideravelmente, atingindo impressionantes 10.928 em meados de 2024, segundo o Escritório das Nações Unidas para Assuntos do Espaço Sideral (UNOOSA). Os dados mostram que em 2019 havia menos de 900 satélites em órbita. O ano de 2022, foi um marco significativo uma vez que, nesse ano, foram lançados no mundo 2.046 satélites (mais de 5 satélites lançados a cada dia). Em 2023 essa tendência ascendente continuou indicando que dimensões importantes do futuro próximo estarão cada vez mais associadas à ocupação e ao emprego do espaço sideral em torno da Terra.

Do total de satélites em órbita em meados de 2024, a França tinha 179, a Alemanha pouco mais de 100 e a Índia 134. No entanto, os líderes em número de satélites em órbita eram a China, com mais de 900, a Rússia, com cerca de 350, e os Estados Unidos, com mais de 8.100. Cabe notar que, nos EUA a maioria dos satélites pertence à iniciativa privada.Segundo a agência da ONU, em 2024 o Brasil tinha apenas 13 satélites em órbita da Terra.

Vale observar que as principais potências mundiais, além de satélites, têm enviado para o espaço telescópios e sondas capazes de observar galáxias distantes e de examinar de perto o Sol, os planetas e outros corpos celestes que gravitam no sistema solar. A sonda Cassini, por exemplo, foi enviada pela NASA em 1997 com o objetivo de estudar o planeta Saturno e suas luas geladas. A sonda viajou por 7 anos apenas para chegar até a órbita de Saturno em 2004 e, em seguida, orbitou o planeta cerca de 300 vezes desvendando realidades inéditas sobre aquele curioso planeta e suas luas. As sondas de observação e os telescópios poderosos como o Hubble têm mudado muitas visões sobre o universo, sobre os campos magnéticos e sobre os materiais que formam o universo e sua história.Os achados científicos obtidos por essas sondas e esses telescópios espaciais chegam a países periféricos como o Brasil apenas muitos anos depois e, mesmo assim, de forma parcial. Em suma, quem quiser ou precisar estudar astronomia deve ir para um desses países onde a pesquisa espacial é um empreendimento reconhecido e praticado pela sociedade, isto é, são empreendimentos coletivos por excelência nos quais boa educação, confiança, respeito e cortesia não são elementos acessórios, mas basilares para o sucesso.

Brasil: um mero consumidor de bens produzidos no mundo

Os grandes programas do governo brasileiro desde o início do novo milênio se concentram apenas na área social tais como o “fome zero”, a identidade de gênero e a valorização de “minorias”, em especial por meio de políticas de quotas, chamadas de “políticas de ação afirmativa”. Dentro desse espírito, na educação – uma dimensão essencial para a moldagem do futuro –nos anos recentes, as escolas públicas têm sido incentivadas a dar prioridade ao provimento de merenda escolar e não ao ensino e à educação. Além disso, boa parte dos recursos públicos para a educação tem sido gasta na produção e distribuição de material escolar gratuito, deixando em plano bastante secundário a disseminação do conhecimento e a formação moral e intelectual dos estudantes. Nas universidades, as prioridades estão no ensino profissionalizante e nas políticas de “não discriminação” enquanto a pesquisa e o ensino como ciência e a difusão do conhecimento estão fora das prioridades e das preocupações da direção das instituições e, principalmente, das autoridades governamentais.

Nesse quadro, é cada vez mais difícil pensar que a nação brasileira possa participar como agente ativo do futuro que vai se delineando.Vale observar que em outros países – principalmente em vista de padrões morais – objetivos a serem atingidos em termos de renda individual, alimentação, higiene e educação, são entendidos como obrigações primariamente de responsabilidade individual dos próprios cidadãos, enquanto o Estado atua apenas de forma normativa e meramente auxiliar ou emergencial no provimento desses objetivos.

O fato é que o Brasil se tornou uma nação satisfeita em “comprar” aquilo que é produzido no mundo enquanto limita-se a exportar bens produzidos com pouca sofisticação tecnológica. Por essa razão, o fluxo de comércio do Brasil com o mundo está fortemente concentrado em bens primários no lado das exportações enquanto, no lado das importações, o país importa bens industrializados de qualquer tipo, essencialmente para consumo. No momento, o Brasil compra de livros a brinquedos, importa automóveis, células fotovoltaicas e máquinas industriais, e também importa relógios de luxo a roupas de “grifes” famosas,mas importa também roupas baratas facilitadas pelos mecanismos aduaneiros que favorecem algum “empreendedor” influente, cuja atividade empresarial gravita em torno da máquina governamental.

Mesmo em atividades como as do esporte,o Brasil vem perdendo protagonismo. No futebol, que era uma modalidade em que o Brasil se destacava no mundo, claramente o país vem perdendo sua posição de relevância especialmente do ponto de vista institucional. Nas últimas décadas, nenhuma inovação relevante ocorrida nesse esporte nasceu no Brasil. Desde as tecnologias associadas à prática do futebol em si mesmo até as instalações físicas dos estádios e dos centros de treinamento, toda inovação foi feita nos últimos anos a partir de centros esportivos de fora do Brasil. No que se refere a formas de organizar e de comercializar essa modalidade esportiva também as inovações tiveram origem em outros centros onde esse esporte ganhou mais dinamismo, notadamente na Europa. Por exemplo, os estádios no Brasil neste novo século, foram construídos ou reformados de acordo com normas e padrões nascidos na Europa, ocorrendo o mesmo com a forma de organizar os campeonatos locais ou regionais. Algo semelhante ocorre com todas as demais modalidades esportivas, inclusive as modalidades olímpicas, que seguem os padrões dos centros mundiais mais organizados e mais dinâmicos do que o Brasil.

O fato é que o Brasil de hoje é um país marcado pela violência e pela brutalidade. Um dos resultados é que a nação se tornou uma sociedade satisfeita em ser “compradora” de tudo que possui alguma relevância no mundo,desde pacotes de viagem para turistas até bens de consumo individual ou coletivo, sendo um país feliz com essa condição, sem qualquer desejo de se tornar criador e protagonista em qualquer campo da atividade produtiva além da agropecuária. “Comprar”, diferente de “produzir”, demanda muito pouca ação coletiva. Pode-se dizer que uma imagem icônica do Brasil de hoje seria a de uma sociedade onde se destaca o “influencer” cheio de tatuagens pelo corpo, que fica feliz em usar um relógio Rolex e um cordão de ouro de mau gosto e morar em uma casa com piscina, sauna e churrasqueira de luxo, tudo com muita ostentação embora situada no meio de uma favela. É muito lamentável para um país que já teve em sua história personagens na cultura como o Aleijadinho, Gilberto Freyre e Machado de Assis, eque já atraiu personagens intelectuais do mundo como Stefan Zweig e Otto Maria Carpeaux.[3] O fato é que a história registra que este país de “compradores”, já teve ao menos duas gerações de políticos notáveis a ponto de fazer inveja para o mundo durante o Segundo Império e ao longo da República Velha. Seja por acomodação ou pela baixa qualidade dos líderes durante este novo século, o país tornou-se hoje uma nação satisfeita com a condição de nação “compradora” de tudo o que é produzido no mundo, sem qualquer disposição para voltara ser protagonista em algum campo da indústria de respeito e de relevância para o mundo. Infelizmente, parece muito pouco provável que, no futuro próximo, algum ramo da indústria brasileira se torne relevante para o mundo. Os mais pessimistas já estão preocupados em reestatizar a Embraer na presunção desoladora de que seria a única forma de evitar que essa empresa venha a acabar sendo incorporada por alguma grande indústria aeronáutica estrangeira.

Alain Peyrefitte chamou os padrões de sucesso da modernidade como “sociedade da confiança”, isto é, a confiança mútua seria um elemento central para o sucesso, no entanto, em uma sociedade violenta e marcada pela criminalidade, como é o caso do Brasil nas últimas décadas, a confiança é um comportamento que as próprias autoridades recomendam ser evitado. O indivíduo deve ficar vigilante para não ser assaltado ou enganado até pelo seu vizinho, pelo mercado onde faz suas compras, pelo entregador de comida, e pela instituição financeira onde movimenta suas contas.As autoridades informam com insistência e veemência que o cidadão deve desconfiar até mesmo do agente público, que pode estar usando um distintivo e um uniforme apenas para enganar e cometer algum delito contra o cidadão.[4]

 

[1] The Civilizing Process, Vol.I. The History of Manners, Oxford: Blackwell, 1969.The Civilizing Process, Vol.II. State Formation and Civilization, Oxford: Blackwell, 1982.

[2] C. V. Gheorghiu, Os Imortais de Agápia. Livraria Bertrand, Lisboa, 1964.

[3] Stefan Zweig (1881-1942) foi um escritor austríaco, autor de dezenas de livros de sucesso mundial. Emigrou para o Brasil em 1941 fugindo do nazismo. Escreveu a obra Brasil, país do futuro e morreu em 1942 em Petrópolis. Otto Maria Carpeaux (1900-1978) também era austríaco e também emigrou para o Brasil fugindo do nazismo. Escreveu a obra História da Literatura Ocidental (4 vols, 1966), que é uma notável obra de referência mundial no assunto escrita originalmente em língua portuguesa.

[4]Alain Peyrefitte em seu livro A Sociedade de Confiança (Instituto Piaget, 1997) argumenta que a Europa encontrou a fonte do seu desenvolvimento no que chamou de um ethos da confiança, isto é, numa disposição de espírito no sentido da ação coletiva que abalou tabus tradicionais e favoreceu a inovação, a mobilidade, a competição, e a iniciativa racional e responsável.

 

 

*Eiiti Sato, Dr. é formado em Economia (FAAP); mestre em Relações Internacionais (Universidade de Cambridge, U.K.), e doutor em Sociologia (USP). É professor do Instituto de Relações Internacionais da UnB, dedicando-se ao ensino e à reflexão sobre filosofia, teoria e história das Relações Internacionais. Foi diretor do Instituto de Relações Internacionais da UnB (2006-2014), e foi um dos fundadores da Associação Brasileira de Relações Internacionais (ABRI), tendo sido seu primeiro presidente (2005-2007).